sábado, 4 de junho de 2011

Aryclé de Castro Muniz (1928-2011)

A CADEIRA NO PENHASCO está de luto pelo falecimento de sua grande inspiradora, minha querida avó paterna Aryclé, cujo falecimento consternou a todos - seu esposo, filhos, netos, bisnetos e amigos - na noite do dia 2 de junho.

Keka, como era conhecida por todos, foi exaustivamente pranteada por todos aqueles, queridos, que visitaram a capela 3 do Cemitério Municipal de Curitiba, ontem. O dia frio, mas com muito sol, foi digno de uma despedida memorável a uma mulher singular.

Professora, Keka fez história com sua irmã Glacy, lecionando no antigo Grupo Escolar Becker e Silva, antigo educandário do bairro da Ronda, em Ponta Grossa. Lá ocupou-se de várias gerações, tornando-se inesquecível por sua capacidade, humanidade e dedicação.

Formada pedagoga já na meia-idade, pela UEPG, Dona Keka ainda teve força e disposição para cursar uma pós-graduação em Educação Especial para Deficientes, especialmente os privados da visão. Ela própria só contava com a visão de um olho, o que não a impediu de, ao longo dos anos, passar para o Braille verdadeira biblioteca, feita à mão com grande sacrifício pessoal, em um tempo em que este era um trabalho artesanal, quase sobre-humano.

Violonista de voz doce e forte; intelectual de múltiplos recursos e interesses; internauta de primeira hora (e apaixonada); mãe, avó e bisavó extremada, Keka era uma mulher absolutamente moderna

Sua vontade de viver e de estar com os seus (e eram muitos os que a amavam) sempre possibilitou reviravoltas inesperadas em seus problemas de saúde, o que torna sua partida, malgrado o peso da idade e de anos de sofrimento clínico, intensa, triste e inesperada. Ela nos acostumou mal, dizia ontem em seu velório, fez-nos acreditar que era imortal.

E é, creio eu, pois vive em cada um dos que a conheceram e amaram. Permanece como um exemplo de vida proba, útil à sociedade e aos seus, intelectualmente vibrante e produtiva. Sua amor a tudo que é vivo, sua capacidade de entender e adaptar-se às mudanças históricas, e sua profunda humanidade, ajudam-nos a prosseguir, por mais que a perda, e a saudade, sejam desde já eternas.


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Agradeço de coração, em meu nome e de minha família, a calorosa maneira com que todos os que estiveram conosco na data de ontem nos acolheram e consolaram 


E agradeço especialmente ao Sr. Francisco Muniz, meu querido avô, por todo seu carinho e dedicação à Keka e à nossa família. Na data de seu aniversário, tenho certeza de que, esteja onde estiver, minha avó festeja, junto com Seo Chiquinho e todos os que estão lá, agora, no sítio em Campina Grande do Sul, seu 83º aniversário.


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FOTO: Dona Keka em sua última visita a Ponta Grossa, com o bisneto Thomas. Chácara Igupá, fevereiro de 2011.