- "Pelo conjunto da obra", responde o bebum, pensando na vida, olhando pra bosta.
A CADEIRA NO PENHASCO toma emprestada a reentrância na rocha de um penhasco da ilha de Guernesey - local em que Victor Hugo ficou exilado e onde escreveu algumas de suas maiores obras - como uma metáfora das janelas da internet, sempre em busca de uma visão do alto. Multiply, 2004-2012. No Blogger desde 2012.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
"São tudo uns bosta"
Votei pela primeira vez para Presidente lá em 1989, como quase todo mundo. Já achava que a governança precisava de boa administração, e no primeiro turno votei no Afif. O exagero quase canônico da adoração ao Lula-lá não me deu escolha: no segundo turno cravei o Collor.
É, assumo. Uns dias depois, em uma reunião em família, poupança já confiscada, fui chamado de antipatriótico por criticar veementemente o projeto collorido. Deu no que deu, com meu voto, porém sem meu apoio.
Também não fui pras ruas com a cara pintada. O que havia de mais oportunista na política estudantil estava lá, como o "Lindinho de Nova Iguaçu" - único filhote do Fora Collor fazer "sucesso" - hoje são colegas.
Eleito BHC, os cinco dedos da mão sumiram. Nos primeiros meses de mandato, as manobras diversionistas nos fizeram prestar mais atenção à "briga" entre Sérgio Motta e ACM que à falta de política. Crítico de primeira hora, apesar de ter votado no cara, ouvi muita bobagem dos amigos crédulos.
Não reelegi FHC. Votei nulo, porque Lula não era opção, a meu ver. Quando se tornou (opção), teve o meu voto, finalmente, como o de tanta gente, idiotas que fomos.
Em outra reunião em família, os empresários temiam o "comunismo" de Lula. Falei: "Meu medo é ele governar com a direita, de mãos dadas com o PMDB, o ACM, o Jader, o Renan e todos os mesmos ladrões de sempre". Dito e feito.
Já no primeiro mandato, aloprados, cuecas cheias e corrupção. Era o Lulla, irmão perdido do Collor, dando as caras.
Nunca mais votei, desde então. Quando presente, anulei. No mais das vezes, viajei e justifiquei. Para não votar.
Cansei de dar procuração para desconhecidos me tungarem. Cansei da enganação do jogo político. Não sou PT, não sou anti-PT, não sou PSDB nem qualquer outra sigla. Acho todos uns fdp. Teria votado no Aécio para tirar a Dillllma, mas com nojo. Ainda bem que não o fiz.
Não acredito em política. Em nenhum político. Em nenhum partido. E essa demo-cracia onde a sociedade não tem peso político, não decide nada; onde legisladores ineptos querem regulamentar a cesárea e não o ato médico; onde o que se diz hoje não vale para amanhã. Cansei da palhaçada.
Um dia acreditei que pequenas ações fossem possíveis. Na sua escola, no seu hospital, no seu bairro. Hoje nem nisso acredito. Fora das favelas, os brasileiros não vivem em comunidade: é cada um por si. E cada coisa que alguém arruma na gestão pública é logo derrubada pelos interesses escusos. Logo, não há o que fazer.
Minha liberdade como cidadão de bem está restringida ao seio da família, ao consultório e à sala de aula. Ao abrirmos a porta, vivemos nesse inferno chamado Brasil.
Ah!o título remete a meu acô Francisco Moniz, que encerrava assim nossas discussões políticas. "Liga não, Caco, são tudo uns bosta!"
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