segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Quadrinha

O Collor(ido) caçou marajás
Sob apupos gerais 
Mas lá da Dinda foi tocado 
Pelos anões do Orçamento. 

Veio Itamar
Ih-ta-marrr!
Deixou o fusca 
E  uma foto de buça pro ar, 
Não dele, dela, a semifafá!
'Cabou enquadrado por uma 
PM mineira
De lá para os lados de Quixadá. 

FHC prometeu cinco dedos, a saber: Emprego
Educação
Saúde
Segurança
Agricultura 
Pôs a mão no bolso e não sacou
Escondeu os dedos
Ninguém mais lembrou

Lulla veio só com nove 
Cinco numa, 
Quatro n'outra
Nada prometeu
E nada fez 
Pelo país 
Que surfar a onda
E despejar
Dilmata 
Na casamata da baderna.

E a Dilminha, tadinha!
Esquindô-lê-lê
Nada sabe 
nada viu,
Ô-Lulla-lá!
Continua a mandar no país 
Por aclamacao popular!

(Em ritmo mezzo samba, mezzo marchinha)





Precisamos de um transplante de povo

Abomino a política em geral como abomino a chamada vida social, do jeito que é praticada por aqui. 

Aqui no Paraná reina a arrogância e a pretensão, sem falar nas maracutaias. Nossa organização social e política é sui generis: mezzo feudal, mezzo ultracapitalista - mas só pro que interessa. Os feudos e capitanias hereditárias imperam na Política, na Medicina, no Direito, no Comércio... Há "donos" do pedaço em todas as instâncias, mafiosos que decidem quem entra na UNIBLERGH, quem pode fixar residência e exercer a profissão por aqui (ou não)... "A cidade é minha e eu expulso daqui quem eu quiser", "você sabe com quem está falando?" et coetera.

"De que família você é?" é pergunta obrigatória, como se tivéssemos de apresentar pedigree para ser gente. 

Gente que nunca trabalhou de verdade representa a cidade ad æternum nas urnas; gente que nunca se elegeu sai no topo do legislativo no primeiro dia de mandato; político recém eleito pela primeira vez diz que seu objetivo é o Senado (!). A Câmara de Vereadores é pouco: vamos direto para deputado estadual, federal... Pra que se preocupar com o bairro, com a cidade, com o aprendizado político? 

"Filhos de" abundam. "Vote no babaca para federal e no babaca baby para estadual", ou seja, ajude a família babaca a nos foder mais um pouco. É o que me dizem os galhardetes de pais e filhos candidatos, onipresentes no estado. Que um pai queira estender seu poder eu até entendo. Que alguém vote no "filho de" só porque é filho de, não entendo. 

Pelas vias legais, nada funciona. Só no jeitinho, no conchavo. O "Sul Maravilha" morreu, inchado de calor com seu clima desértico, obra do desmatamento desenfreado e ganancioso que nos legou apenas 1% da cobertura vegetal original. A educação é péssima, os serviços, ruins, a saúde pública é ridícula e a rede privada, mambembe de tanta ganância. Nas universidades, há feudos e "donos", também. Só faltam as milícias. 

Políticas acertadas do governo federal não são implantadas porque o estado e o município são de outro partido. Não há política de saúde pública para as crianças ou um único serviço privado pediátrico de verdade na cidade. Hospitais gananciosos são mais sujos que pau de galinheiro. 

Os governos de modo geral são balcão de negócios, com a sociedade, corrupta igual, se cliente. A imprensa é pelega ou vendida, os jornais, fraquíssimos; a oposição é nula ou suja.  As igrejas transformam as pessoas em donos absolutos da razão, e se alguém se autointitular "muito religioso", pode ter certeza de que não vale nada, é perigoso. Caridade se faz com assinatura, para aparecer no jornal, nunca pelo bem comum.

As pessoas são INCONTRARIÁVEIS, para angariar inimigos basta pensar diferente. 

Dizem que o Brasil inteiro anda assim. Parece que sim, a se ver pelo resultado das eleições. O Estadão de hoje analisa: fomos às ruas em 2013 para deixar tudo como estava, depois, nas urnas. 

É de chorar. Olho pros lados e não tenho nenhuma esperança. 

E ainda falam do Nordeste, como se nós do Sul e Sudeste  fôssemos farinha de outro saco, quando não é verdade. O Sul Maravilha morreu: só falta colocar o algodão no nariz. É o resto está tudo igual, com a profusão de indiciados eleita no Norte, o Pezão (quem?) no Rio, os mesmos coronéis de norte a sul. 

Sinto-me um idiota, por trabalhar a vida inteira honestamente. Bons mesmos são os que se dedicam a enriquecer por qualquer meio: serão homenageados, eleitos, terão suas mãos beijadas pelos puxa-saco e obterão o respeito popular. O Brasil é o país do "é minha vez!" (de roubar), por isto eleições são inúteis. Só fazendo um transplante de POVO. 

domingo, 19 de outubro de 2014

Lição Maquiavélica

"Um principado estabelecem-no o povo ou os grandes, conforme a ocasião que uma destas partes tiver; notando os grandes que não podem resistir ao povo, iniciam a criar a reputação de um de seus elementos e o tornam príncipe, para poder à sua sombra, satisfazer os seus apetites. O povo, do mesmo modo, vendo que não resistirá aos grandes, dá reputação a um cidadão e o elege príncipe para defender-se sob sua autoridade. O que sobe ao principado auxiliado pelos grandes, mantém-se com maiores dificuldades do que o que se elege pelo povo; acha-se aquele que tem muita gente ao redor que lhe parece igual a ele e por isso não pode comandá-la nem manejar como quiser. Contudo aquele que alcança o principado pelo favor do povo, acha-se só e ao seu redor, ou não tem ninguém ou alguns poucos que não estão aptos a obedecê-lo. Além do mais, não se conseguem honestamente contentar os grandes sem ofender os outros, porém o povo pode ser satisfeito. Porque o desideratum do povo é mais honesto do que o dos grandes; estes desejam oprimir e aquele não quer ser oprimido. Contra a hostilidade popular, não pode o príncipe jamais estar seguro, pois são muitos; com relação aos grandes, pode, porque são poucos. O pior que um príncipe pode esperar do povo hostil é que ele o abandone. Da inimizade dos grandes, porém, não só deve temer que o abandonem, mas que também o ataquem, pois estes têm maior alcance de vistas é astúcia maior, e sempre têm tempo de se salvar, procurando achegar-se dos prováveis vitoriosos. Necessita ainda o povo viver sempre com o povo, mas pode perfeitamente prescindir dos grandes, porque pode fazer e desfazer, cada dia e aumentar-lhes perder influência, a seu capricho." 
(O Príncipe, 1513)

Nicolau Maquiavel
Niccolò di Bernardo dei Machiavelli