Abomino a política em geral como abomino a chamada vida social, do jeito que é praticada por aqui.
Aqui no Paraná reina a arrogância e a pretensão, sem falar nas maracutaias. Nossa organização social e política é sui generis: mezzo feudal, mezzo ultracapitalista - mas só pro que interessa. Os feudos e capitanias hereditárias imperam na Política, na Medicina, no Direito, no Comércio... Há "donos" do pedaço em todas as instâncias, mafiosos que decidem quem entra na UNIBLERGH, quem pode fixar residência e exercer a profissão por aqui (ou não)... "A cidade é minha e eu expulso daqui quem eu quiser", "você sabe com quem está falando?" et coetera.
"De que família você é?" é pergunta obrigatória, como se tivéssemos de apresentar pedigree para ser gente.
Gente que nunca trabalhou de verdade representa a cidade ad æternum nas urnas; gente que nunca se elegeu sai no topo do legislativo no primeiro dia de mandato; político recém eleito pela primeira vez diz que seu objetivo é o Senado (!). A Câmara de Vereadores é pouco: vamos direto para deputado estadual, federal... Pra que se preocupar com o bairro, com a cidade, com o aprendizado político?
"Filhos de" abundam. "Vote no babaca para federal e no babaca baby para estadual", ou seja, ajude a família babaca a nos foder mais um pouco. É o que me dizem os galhardetes de pais e filhos candidatos, onipresentes no estado. Que um pai queira estender seu poder eu até entendo. Que alguém vote no "filho de" só porque é filho de, não entendo.
Pelas vias legais, nada funciona. Só no jeitinho, no conchavo. O "Sul Maravilha" morreu, inchado de calor com seu clima desértico, obra do desmatamento desenfreado e ganancioso que nos legou apenas 1% da cobertura vegetal original. A educação é péssima, os serviços, ruins, a saúde pública é ridícula e a rede privada, mambembe de tanta ganância. Nas universidades, há feudos e "donos", também. Só faltam as milícias.
Políticas acertadas do governo federal não são implantadas porque o estado e o município são de outro partido. Não há política de saúde pública para as crianças ou um único serviço privado pediátrico de verdade na cidade. Hospitais gananciosos são mais sujos que pau de galinheiro.
Os governos de modo geral são balcão de negócios, com a sociedade, corrupta igual, se cliente. A imprensa é pelega ou vendida, os jornais, fraquíssimos; a oposição é nula ou suja. As igrejas transformam as pessoas em donos absolutos da razão, e se alguém se autointitular "muito religioso", pode ter certeza de que não vale nada, é perigoso. Caridade se faz com assinatura, para aparecer no jornal, nunca pelo bem comum.
As pessoas são INCONTRARIÁVEIS, para angariar inimigos basta pensar diferente.
Dizem que o Brasil inteiro anda assim. Parece que sim, a se ver pelo resultado das eleições. O Estadão de hoje analisa: fomos às ruas em 2013 para deixar tudo como estava, depois, nas urnas.
É de chorar. Olho pros lados e não tenho nenhuma esperança.
E ainda falam do Nordeste, como se nós do Sul e Sudeste fôssemos farinha de outro saco, quando não é verdade. O Sul Maravilha morreu: só falta colocar o algodão no nariz. É o resto está tudo igual, com a profusão de indiciados eleita no Norte, o Pezão (quem?) no Rio, os mesmos coronéis de norte a sul.
Sinto-me um idiota, por trabalhar a vida inteira honestamente. Bons mesmos são os que se dedicam a enriquecer por qualquer meio: serão homenageados, eleitos, terão suas mãos beijadas pelos puxa-saco e obterão o respeito popular. O Brasil é o país do "é minha vez!" (de roubar), por isto eleições são inúteis. Só fazendo um transplante de POVO.