sábado, 25 de maio de 2013

Norwegian Wood, Haruki Murakami, 1987

Verdadeiro Instant Classic no Japão desde seu lançamento, Norwegian Wood é um livro escrito de maneira simples, que combina com a narrativa quase juvenil; mas reserva inúmeras surpresas, tanto de estilo quanto de conteúdo, capazes de agradar até a leitores mais exigentes. 

Seu maior trunfo talvez seja exatamente a boa fluência, que envolve e instiga-nos a prosseguir na leitura. 

Outro ponto positivo, e absolutamente contemporâneo para um livro que já ultrapassou as bodas de prata, é a completa ausência de maniqueísmos. Toru, o protagonista-narrador, pode ser um pouco perdido e inseguro, mas não julga ninguém sem empatia ou desejo de compreensão, e só assim dá conta de narrar a própria história sem que a loucura do fim dos anos 60 invada (e estrague) a (boa) trama principal. 

Melancólico e tristonho, apesar de poético na medida e das várias surpresas ao final, NW é um livro que fica na memória por um bom tempo após a leitura. E Murakami, ao menos para mim, um nome a se prestar atenção. 

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Agora devoro, finalmente o 1Q84, do cara. Parece bom logo de cara. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

PRESTAR ATENÇÃO NÃO ADIANTOU

Sempre fui fã da mínima e inspirada poesia, exígua e imensa, do título de um dos livros de Paulo Leminski - "Distraídos Venceremos". 

Essa verdade, impressa em reboco e tinta vermelha sobre o telhado do prelo do Largo da Ordem (na parede do prédio vizinho, na verdade)  encimou inúmeras andanças minhas, por muitos anos, anunciando o tomo até muito depois da subida de Leminski à condição imortal dos poetas idos. 

Sempre a considerei um primor de imaginação e construção, a frase, o poema. E um tapa na cara dos que defendem uma visão utilitarista da pessoa e da existência humanas. 

Agora assisto ao Nelson Motta na Globo, falando do bestseller que virou o Toda Poesia (volume que reúne sua obra poética em simpática capa rosa, com bigodão e tudo, besteseler no Brasil); e me deparo com outra pérola. 

No video antigo, o repórter aborda PLna saída de um bar:

- O distraído vencerá, Paulo?

- Bem... prestar atenção não adiantou, né?

Salve Paulo, ave Leminski-san, que seu senso de humor contagie uns poucos mais. Por todo o sempre, amém.