Sempre fui fã da mínima e inspirada poesia, exígua e imensa, do título de um dos livros de Paulo Leminski - "Distraídos Venceremos".
Essa verdade, impressa em reboco e tinta vermelha sobre o telhado do prelo do Largo da Ordem (na parede do prédio vizinho, na verdade) encimou inúmeras andanças minhas, por muitos anos, anunciando o tomo até muito depois da subida de Leminski à condição imortal dos poetas idos.
Sempre a considerei um primor de imaginação e construção, a frase, o poema. E um tapa na cara dos que defendem uma visão utilitarista da pessoa e da existência humanas.
Agora assisto ao Nelson Motta na Globo, falando do bestseller que virou o Toda Poesia (volume que reúne sua obra poética em simpática capa rosa, com bigodão e tudo, besteseler no Brasil); e me deparo com outra pérola.
No video antigo, o repórter aborda PLna saída de um bar:
- O distraído vencerá, Paulo?
- Bem... prestar atenção não adiantou, né?
Salve Paulo, ave Leminski-san, que seu senso de humor contagie uns poucos mais. Por todo o sempre, amém.
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