No fim dos anos sessenta, José Eufrásio Pedroso desfez a sociedade que tinha com os irmãos em uma barbearia próxima ao açougue do sr. Orlando na Bonifácio Vilela. À procura de novo local para oferecer suas habilidades com a tesoura aos clientes, Eufrásio acabou por conversar com o sr. Oscar Arthur Bach, o Kiko dono da borracharia no "fim" da Rua Balduíno Taques - na época, o calçamento acabava por ali.
"Olha, os caras vão abrir um bar agora, neste mês, e o prédio ao lado tem duas salas para alugar. Por que você não vem para cá?"
Mas Eufrásio não levou fé, achou "longe" e continuou sua busca.
Não sei bem quanto tempo depois, voltaria e alugaria a tal sala, iniciando um negócio que se confunde com a história de Ponta Grossa, o Salão São José.
Pelo Salão, passaram políticos e empresários importantes, em seus mais de quarenta anos de funcionamento, mas mais que isto, várias gerações de pontagrossenses que se encantaram com o profissionalismo e a gentileza da família Pedroso, em especial daquela figura discreta e ímpar conhecida simplesmente como "o Eufrásio". Ali ele fez sua escola, ensinando filhos e sobrinhos que hoje mantêm o negócio com a mesma humildade e competência.
Quando voltei a Ponta Grossa, em 2006, foi natural voltar a cortar meu cabelo lá, reencontrar velhos amigos e manter este contato.
Seu Eufrásio parecia o mesmo de sempre, os cabelos pretos retintos a disfarçar a idade, o papo bom e tranquilo, as mãozinhas macias que ele, orgulhosamente, dizia serem essenciais à profissão.
Um dia, dei-lhe nova alegria ao levar-lhe meu filho Thomas para cortar a juba com ele.
"Com este aqui, são cinco gerações dos Bach que eu atendi, Renato: seu bisavô Alexandre, seu avô Kiko, seu pai, você é agora o Thomas."
Há alguns anos, seu Eufrásio aposentou-se, morou por um tempo fora da cidade, caiu de um cavalo, adoeceu e voltou. Mas não para o Salão, que a cadeira preferida ele manteve em casa, para atender apenas grandes amigos, quando lhe apetecesse.
Fiquei muito triste, na semana passada. Fui ao Salão depois das férias, esperando ouvir as histórias de meu amigo Edenir, pai do Sandro, sogro da Suzana Vieira, mas o que tive dele foi a triste notícia: seu Eufrásio falecera há um mês, pouco tempo depois do passamento de sua esposa.
Com ele se vai mais um pedacinho de minha infância. Ficam excelentes lembranças, e, à família, meus sentimentos e meu muito obrigado.