Tudo isto são famílias.
Há casais, heteros ou não, que optam por não ter filhos. Há os que os querem, e bastantes, mais do que a oferta de órfãos aguardando adoção pelos canais oficiais - processo ainda moroso no país. Permitir que casais homoafetivos o façam não é criar fato novo, é legislar sobre o que juízes e promotores têm entendido há tempos, considerando principalmente o direito de crianças já adotadas por casais gays pelas vias legais.
A defesa de qualquer núcleo familiar estimula a paz social, tem impacto na prevenção de violência contra a criança e a mulher, e serve para a legalização de milhares de relacionamentos já existentes no país. É reivindicação de parcela expressiva da sociedade e, em um estado democrático e laico, não deveria ser objeto de avaliações religiosas. Mas assim as coisas são.
A batalha, contudo, deve-se dar no campo das ideias e resolver-se no Congresso.
Ir a campo usando símbolos religiosos de maneira (absoluta e absurdamente) escatológica e desrespeitosa, como na recente parada em Sampa, parece-me de exagero criminoso. Houve ali, pelo menos "atentado ao pudor"!
É afirmação sectária que em nada favorece a (justa) luta LGBT - pelo contrário, dá asco pela gratuidade e mau gosto. Pior que isso, dá margem ao que pastores conservadores (e maldosos) falam por aí - munição para meter todos os gays no mesmo balaio de gatos mal-criados. E o povo vai com eles: o grosso da massa ignara e os radicais da direita, bem como, depois do vexame de alguns no domingo, muitos outrora indecisos.
Uma pena. Um retrocesso. Um perigo: a dupla face da intolerância tomando o lugar do verdadeiro debate democrático. .

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