quarta-feira, 10 de junho de 2015

Família o que é?

Família tem várias. Pai-e-mãe-e-irmãos, só um casal com filho, avós que são mais que pais, tios e tias criando filhos seus e dos irmãos, adotivos e enjeitados vários, e, mais recentemente, uniões homoafetivas com filhos, naturais ou não.

Tudo isto são famílias. 

Há casais, heteros ou não, que optam por não ter filhos. Há os que os querem, e bastantes, mais do que a oferta de órfãos aguardando adoção pelos canais oficiais - processo ainda moroso no país. Permitir que casais homoafetivos o façam não é criar fato novo, é legislar sobre o que juízes e promotores têm entendido há tempos, considerando principalmente o direito de crianças já adotadas por casais gays pelas vias legais. 

A defesa de qualquer núcleo familiar estimula a paz social, tem impacto na prevenção de violência contra a criança e a mulher, e serve para a legalização de milhares de relacionamentos já existentes no país. É reivindicação de parcela expressiva da sociedade e, em um estado democrático e laico, não deveria ser objeto de avaliações religiosas. Mas assim as coisas são. 

A batalha, contudo, deve-se dar no campo das ideias e resolver-se no Congresso. 

Ir a campo usando símbolos religiosos de maneira (absoluta e absurdamente) escatológica e desrespeitosa, como na recente parada em Sampa, parece-me de exagero criminoso. Houve ali, pelo menos "atentado ao pudor"! 

É afirmação sectária que em nada favorece a (justa) luta LGBT - pelo contrário, dá asco pela gratuidade e mau gosto. Pior que isso, dá margem ao que pastores conservadores (e maldosos) falam por aí - munição para meter todos os gays no mesmo balaio de gatos mal-criados. E o povo vai com eles: o grosso da massa ignara e os radicais da direita, bem como, depois do vexame de alguns no domingo, muitos outrora indecisos. 

Uma pena. Um retrocesso. Um perigo: a dupla face da intolerância tomando o lugar do verdadeiro debate democrático. . 

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