sábado, 9 de julho de 2016

UMA VIDA PEQUENA / A LITTLE LIFE, de Hanya Yanagihara

"But what Andy never understood about him was this: he was an optimist. Every month, every week, he chose to open his eyes, to live another day in the world... He did it when he was so exhausted of trying, when being awake and alive demanded such energy that he had to lie in bed thinking of reasons to get up and try again..."

UMA VIDA PEQUENA / A LITTLE LIFE, de Hanya Yanagihara, tem sido considerado por muitos o melhor romance americano dos anos 2000.  Denso, profundo e perturbador, o livro acompanha as desventuras de quatro amigos nova-iorquinos ao longo de décadas,  fornecendo um amplo painel das vicissitudes da vida moderna. 

O centro da história, bem como do afeto e respeito dos amigos, é Jude St. Francis, talvez um dos mais ricos e bem desenvolvidos da história da literatura. Chama atenção a profunda humanidade do enredo, à medida que descobrimos todos os traumas que uma infância inimaginavelmente infeliz que Jude carrega dentro de si. Ele é uma espécie de Lisbeth Salander da vida real, "worn out but wide awake" ("quebrado, mas bem desperto"), como vem descreve a autora em algum momento. Sofrido mas genial, descompensando mas inteligentíssimo, consciente de seu caráter autodestrutivo, Jude nos comove, assim como emocionante é o relato cru e verdadeiro da amizade entre homens adultos, sem meias-palavras. 

O detalhe inolvidável é que se trata de uma mulher escrevendo em primeira pessoa, no sexo masculino, sem falhas, exageros ou mistificação. Muito mal comparando, algo similar a um Chico Buarque (quando escrevia do ponto de vista feminino) quase sustenta por mais de 700 páginas. 

Um livro e um personagem que ressoam na alma por muito depois de finda a leitura. Com uma única ressalva: trata-se de um livro para pessoas fortes - lágrimas são inevitáveis. 

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