UMA VIDA PEQUENA / A LITTLE LIFE, de Hanya Yanagihara, tem sido considerado por muitos o melhor romance americano dos anos 2000. Denso, profundo e perturbador, o livro acompanha as desventuras de quatro amigos nova-iorquinos ao longo de décadas, fornecendo um amplo painel das vicissitudes da vida moderna.
O centro da história, bem como do afeto e respeito dos amigos, é Jude St. Francis, talvez um dos mais ricos e bem desenvolvidos da história da literatura. Chama atenção a profunda humanidade do enredo, à medida que descobrimos todos os traumas que uma infância inimaginavelmente infeliz que Jude carrega dentro de si. Ele é uma espécie de Lisbeth Salander da vida real, "worn out but wide awake" ("quebrado, mas bem desperto"), como vem descreve a autora em algum momento. Sofrido mas genial, descompensando mas inteligentíssimo, consciente de seu caráter autodestrutivo, Jude nos comove, assim como emocionante é o relato cru e verdadeiro da amizade entre homens adultos, sem meias-palavras.
O detalhe inolvidável é que se trata de uma mulher escrevendo em primeira pessoa, no sexo masculino, sem falhas, exageros ou mistificação. Muito mal comparando, algo similar a um Chico Buarque (quando escrevia do ponto de vista feminino) quase sustenta por mais de 700 páginas.
Um livro e um personagem que ressoam na alma por muito depois de finda a leitura. Com uma única ressalva: trata-se de um livro para pessoas fortes - lágrimas são inevitáveis.
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